sexta-feira, 3 de maio de 2013

China investe US$ 810 milhões em alternativa ao GPS

Beidou é a esperança do país para depender menos dos Estados Unidos



Reprodução
China
O governo chinês investirá o equivalente a US$ 810 milhões no Beidou, um sistema de navegação via satélite que no futuro - espera o país - fará concorrência com o GPS.

De acordo com o China Daily, o dinheiro será usado na construção de um parque industrial onde entre 30 e 50 empresas trabalharão para desenvolver o ecossistema do Beidou. Espera-se que as primeiras 20 companhias possam chegar ao parque em junho.

A China tem duas intenções com o sistema: além de atender à demanda da população em um mercado de US$ 19,2 bilhões, o governo quer que seu exército dependa menos de tecnologia estrangeira - já que os Estados Unidos podem cortar o acesso do país à ferramenta ou até monitorar o que acontece por lá.

O Beidou foi lançado em fase de testes em 2003 e desde dezembro está em uso pelo governo e o exército para transporte, previsão climática, pescaria, telecomunicações, monitoramento hidrológico, mapeamento e silvicultura, segundo o TechCrunch.
 

Facebook coloca segurança do seu perfil na mão dos seus amigos

Novo recurso manda chaves de segurança para seus contatos para utilização em caso de perda de acesso à sua conta



Reprodução
Segurança - Facebook
O Facebook agora utilizará suas amizades como forma de autenticação com o novo recurso "Trusted Contacts", oficializado nesta quinta-feira, 2. A ferramenta permite ao usuário selecionar amigos de confiança que poderão receber chaves de segurança quando ele for impedido de utilizar sua conta.

A ferramenta começou a ser testada em 2011. Com ela, a pessoa escolhe entre três e cinco amigos que, em caso de invasão de perfil, por exemplo, recebem uma chave. Basta, então, solicitar a eles esta senha para recuperar acesso à sua conta. São necessárias ao menos três chaves para retomar o controle do perfil.

"Com os 'Trusted Contacts', não é necessário lembrar qual a resposta para sua pergunta de segurança, ou preencher longos formulários para provar quem é você", afirma o Facebook em um post oficial. "Você pode recuperar sua conta com a ajuda de amigos", completa.

Por enquanto, o recurso ainda não foi ativado para quem utiliza o Facebook em português. Quem o utiliza em inglês, no entanto, já pode ativar a ferramenta acessando as configurações de segurança de sua conta e clicando em "Edit" no item "Trusted Contacts". Inclua o nome de seus amigos e eles receberão uma mensagem informando que eles foram selecionados para serem seus contatos de segurança.

Quem não se sentir confortável com a nova alternativa de segurança, no entanto, pode continuar com as perguntas secretas e os formulários.
 

5G será até 1.000 vezes melhor que 4G, aposta pesquisador britânico

Rahim Tafazolli, diretor que lidera os primeiros experimentos sobre o futuro da banda larga móvel



Arte/André Paulista
5G On
Rafael Cabral, de Londres

Enquanto a tecnologia 4G chega ao Brasil acompanhada de limitações, a Universidade de Surrey, na Inglaterra, já conta com um avançado centro de pesquisas no qual especialistas trabalham nos padrões da próxima geração da internet móvel, o futuro 5G.

Trata-se de um investimento estratégico do governo inglês, em parceria com importantes empresas do setor, para acelerar o desenvolvimento da tecnologia e, com isso, levar o país ao topo do mercado de banda larga móvel. “Nosso projeto se destaca por ser uma iniciativa de larga escala, voltada à pesquisa e ao desenvolvimento do sistema como um todo, além de contarmos com fortes parceiros no lado da indústria”, garante o engenheiro Rahim Tafazolli, diretor do centro de pesquisa sobre o 5G da Universidade de Surrey, em entrevista exclusiva ao Olhar Digital.

De acordo com ele, um terço do projeto está sendo bancado pelo governo britânico por meio do UK Research Partnership Investiment Fund (UKRPIF), enquanto o restante do investimento vem de um consórcio formado por grandes companhias globais (Telefónica, Fujitsu, Rohde-Schwarz, Internacional AIRCOM, Huawei e Samsung).

Com um aporte de 35 milhões de libras no final do ano passado (R$ 110 milhões), o centro pretende acelerar a pesquisa e a concretização dos padrões. Até o final de 2013, a expectativa é lançar um campo de testes para os experimentos no pós-4G e 5G, área que abrangerá 4 km quadrados, com velocidade acima de 1 Gbit/segundo em cada célula. O local poderá ser usado por estudantes, pesquisadores e pelas próprias empresas financiadoras.

Maquete das futuras instalações do Centro, em Surrey
Reprodução

Tafazolli esclarece que o grande objetivo do 5G não é necessariamente aumentar a velocidade da conexão (ainda sem previsões de números), mas criar melhorias no sistema como um todo que, por sua vez, se reverterão em uma experiência mais fluida de navegação para o usuário. “A velocidade não é a maior questão a ser resolvida, mas sim alguns problemas estruturais. Estamos voltados a criar melhor utilização do espectro de rádio e melhor aproveitamento de energia no sistema. Isso deve gerar redes de alta capacidade que sejam 1.000 vezes melhores que o atual 4G”, aposta.

Quando concretizada, a nova tecnologia deverá transformar radicalmente a experiência do usuário da internet móvel, gerando uma comunicação que passará a ser mais visual (conversas em vídeo em vez de áudio); uma rede de alta capacidade e totalmente ubíqua (disponível em todos os lugares); e que abra caminho para a implantação efetiva da chamada internet das coisas (máquinas e objetos conectados). No entanto, isso não deve acontecer tão cedo: as previsões mais otimistas são de que a tecnologia chegue ao mercado por volta de 2020.

O 5G Innovation Centre (Centro de inovação em 5G) está ativo há dois anos, já envolve mais de 40 pesquisadores e em breve ganhará instalações mais sofisticadas.  Trata-se do mais ambicioso projeto em todo o mundo direcionado a concretizar a quinta geração da banda larga móvel. “Estamos trabalhando em todas as etapas do desenvolvimento do 5G, em todo o sistema - o desenvolvimento da arquitetura da rede, a estrutura do acesso via rádio, rede sem fio e também na investigação das pequenas células (femtocells). O projeto de Surrey está focado no desenvolvimento de várias dessas tecnologias e em garantir que possamos ter a propriedade intelectual dos padrões e ajudar a implantá-los mais rapidamente do que o esperado", afirma o líder do centro.

O assunto tem enorme importância econômica - a própria União Europeia anunciou investimentos de 50 milhões de euros (R$ 130 milhões) no início do ano para impulsionar diversos projetos focados no 5G, assunto de uma outra matéria publicada pelo Olhar Digital. (Confira aqui.)

Segundo Mike Short, presidente da Institution of Engineering and Technology (Instituição de Engenharia e Tecnologia) e vice-presidente de assuntos públicos da Telefónica Europa, umas das empresas financiadoras do projeto, “o 5G trará ainda mais capacidade, mais espectro e mais velocidade". Para o usuário, diz ele, isso se traduz em mais comodidade e em um novo sentido de conectividade, com a internet se tornando parte ainda mais integral de nossas vidas. “Será uma rede de ultra banda larga completamente disponível em qualquer lugar e a qualquer hora”, prevê o executivo. (Veja a entrevista completa.)

Ilustração com os destaques do 5G, por André Paulista:

Reprodução 
 

Internet já é maior que a TV, diz Google

Executivo da companhia declara que o bilhão de visitantes do YouTube não é o bastante: o foco é chegar a todos


YouTube (Reprodução)
YouTube
Você pode achar que há uma briga entre TV e internet. Se for este o caso, a segunda já venceu, como acredita um dos maiores representantes do setor.

Eric Schmidt, executivo forte do Google, declarou recentemente que as plataformas de vídeo online deslocaram a audiência da TV. "Isso já aconteceu", afirmou, conforme relata a Associated Press.

O Google é dono do principal site de vídeos da internet, o YouTube, para quem "o futuro é agora", segundo Schmidt. A plataforma recentemente atingiu a marca de 1 bilhão de visitantes únicos por mês, e quer mais: "Espere até chegar a 6 [bilhões] ou 7 bilhões."

A companhia vem investindo pesado na criação de conteúdo, justamente para atrair quem hoje é espectador da televisão. Mas Schmidt declarou que o YouTube não é um substituto para algo já pré-estabelecido.

"É uma coisa nova em que temos que pensar, para programar, administrar e construir novas plataformas."
 

Como um jornalista de tecnologia passa 12 meses sem internet

Paul Miller, do The Verge, ficou esse tempo todo sem usar a rede, achando que ela fosse ruim



Reprodução/The Verge
Paul Miller, do Verge
Fala-se sobre os possíveis males que a internet causa ao humano enquanto ser sociável, pois ele passaria a ignorar a vida offline em detrimento do que encontra no virtual - inclusive os amigos "reais".

Pensando nisso, um jornalista que escreve sobre tecnologia decidiu abandonar o inimigo e viver longe da turbulência que é a vida na internet. Paul Miller, do The Verge, um dos principais veículos especializados do mundo, passou um ano totalmente offline.

Tanto tempo para descobrir que estava errado. Paul voltou à rede à 0h do dia 1º de maio de 2013, tendo abandonado a internet às 23h59 de 30 de abril de 2012. Durante esse período ele permaneceu trabalhando para o Verge, escrevendo, além de textos diversos, sobre sua experiência no mundo palpável (veja aqui).

A parte boa

Houve grandes momentos, como ele relata: se sentia livre, não tinha mais um smartphone para incomodar com atualizações o tempo todo, passou a administrar melhor o tempo e, com isso, perdeu peso, melhorou o desempenho de leitura etc.

A comunicação mudou totalmente; agora ele enviava cartas, ligava, ia à casa dos amigos. Sua irmã, que por anos sofreu com o distanciamento, passou a admirar o comportamento de Paul: "Ela diz que estou menos isolado, emocionalmente, mais preocupado com seu bem-estar - menos idiota, basicamente", comenta ele.

A parte ruim

Mas, é claro, ele sentiu o peso de estar um passo atrás da humanidade. Paul perdeu contato com muita gente e deixou de ser relevante para as pessoas. Afinal, se você tem 1 mil amigos no Facebook, não espere que todos te visitem ou liguem para saber como anda sua vida.

Um amigo dele foi morar na China e, desde então, nunca mais se falaram. "Muita tinta foi derramada sobre o falso conceito de 'amigo de Facebook', mas eu posso te dizer que um 'amigo de Facebook' é melhor do que nenhum."

"Sem internet, é certamente mais difícil encontrar pessoas", afirmou. "É mais difícil fazer uma ligação do que enviar um e-mail. É mais fácil mandar SMS, usar SnapChat, FaceTime, do que ir à casa de alguém."

No começo, Paul achava graça em livros e mapas de papel, mas há certas coisas que simplesmente não fazem mais tanto sentido quanto antigamente. Não são tarefas difíceis de se executar, mas por que escolher a forma menos prática?

Além disso, a experiência dele foi prejudicada pela sua própria condição. Paul não se sentia bem cercado pela web, então decidiu que ela era seu problema, mas depois de certo tempo o contexto de "eu não uso internet" acabou e ele se transformou numa pessoa qualquer que apenas não usa a rede - não era mais o cara exótico, era normal, ou quase.

A conclusão

No fim do período, ele conversava com a sobrinha de cinco anos, com quem geralmente só se comunicava via Skype. Ela não sabe bem o que é a internet, mas sabe que a ferramenta da Microsoft a ajuda a manter contato com o tio.

Quando ele perguntou se ela imaginava por que ele não a chamou no Skype pelo ano todo, ouviu a resposta: "Pensei que fosse porque você não queria."

Ou seja: a internet, em si, não importa. O que interessa é o que ela proporciona. Paul descobriu que a rede possibilita uma sére de coisas que não eram possíveis antes. Então, compreendeu aquilo e respondeu à sobrinha: "Passei um ano sem usar nenhuma internet. Mas agora eu estou voltando e eu posso te chamar no Skype novamente."
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Desenhe seu controle remoto no sofá ou na parede

Desenhe seu controle remoto no sofá ou na parede
Robert Xiao demonstra seu criador de interfaces criando um menu na parede da sala. 
 
Toques que desenham interfaces
Desde 2010, uma equipe da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, vem desenvolvendo uma forma mais flexível para criar interfaces controladas por toque.
Inicialmente eles criaram o Skinput, uma tecnologia para transformar a própria pele em um teclado virtual.
Logo depois, eles usaram um projetor e um Kinect para transformar qualquer superfície em uma interface por toques.
Nos dois casos, eles usavam um projetor para criar interfaces pré-definidas, que então podiam ser controladas pelo toque com as mãos ou com os dedos.
Agora, Robert Xiao incrementou ainda mais a tecnologia que vem sendo desenvolvida nos laboratórios dos professores Scott Hudson e Chris Harrison.
Xiao demonstrou que as interfaces de toque podem ser criadas praticamente à vontade, apenas mexendo as mãos.
O sistema permite que alguém esfregue o braço de um sofá para "pintar" um controle remoto para controlar a TV ou passe a mão sobre uma porta ou parede para postar sua agenda.
Posteriormente, outros usuários podem abrir uma versão estendida da agenda, onde cada dia se transforma em um menu suspenso, visualizando eventos nos quais estejam envolvidos.
Ainda mais, essas interfaces ad hoc podem ser movidas, modificadas ou deletadas igualmente com gestos manuais, o que as torna altamente personalizáveis.

Desenhe seu controle remoto no sofá ou na parede
Os pesquisadores incorporaram a tecnologia em um dispositivo que pode ser rosqueado no bocal de uma lâmpada. 
 
Lâmpada interativa
Com os sensores de profundidade cada vez mais precisos, e os projetores cada vez menores, os pesquisadores incorporaram a tecnologia em um dispositivo que pode ser rosqueado no bocal de uma lâmpada.
"Nós vislumbramos uma 'lâmpada interativa', um dispositivo miniaturizado que possa ser rosqueado no bocal de uma lâmpada comum e apontada para onde o usuário quiser montar a interface," disse Xiao.
Como já existem lâmpadas de LED interativas, que obedecem a um controle remoto para mudarem de cor, isso não foi difícil de implementar.
Embora, no estágio atual, o sistema consiga criar interfaces apenas sobre superfícies, os pesquisadores afirmam que estão trabalhando em melhoramentos que poderão permitir que os usuários interajam com o sistema no espaço livre.
Da mesma forma, câmeras de profundidade de maior resolução poderão permitir que o sistema sinta gestos detalhados até com os dedos.
Além de gestos, o sistema também pode ser projetado para responder a comandos de voz.

Memória de computador pode funcionar como bateria

  Memória não-volátil funciona como bateria
Configuração de uma célula de memória resistiva: uma tensão elétrica é criada entre os dois eletrodos, de modo que as células de memória podem ser consideradas como pequenas baterias. 
 
 
 
ReRAM
As memórias resistivas (ReRAM) são promissoras porque são não-voláteis, ou seja, não perdem dados na falta de energia.
Mas que tal se, além de não consumirem energia, as memórias guardarem energia para quando precisarem, ou mesmo para outros usos?
Pesquisadores alemães descobriram que as memórias resistivas não são simplesmente componentes passivos, podendo funcionar como minúsculas baterias.
O grupo já demonstrou que essa energia acumulada pode ser usada para aumentar a velocidade de leitura das memórias.
Íons em lugar de elétrons
As memórias convencionais funcionam com base em elétrons, que são movidos para dentro ou para fora das células individuais de memória.
O problema é que os elétrons são muito pequenos, exigindo isolantes relativamente grossos para não escaparem.
Além de atrapalhar a miniaturização e limitar a densidade de armazenamento, isso exige grandes quantidades de energia para vencer a barreira de isolamento quando é necessário usar a memória.
É por isso que muitos pesquisadores estão tentando desenvolver componentes nanoeletrônicos usando íons, ou seja, átomos carregados eletricamente, que são muito maiores e mais pesados do que os elétrons.
Deste modo, as células de armazenamento individuais podem ser reduzidas virtualmente a dimensões atômicas, aumentando enormemente a densidade de armazenamento.
Memória com energia
Ilia Valov e seus colegas das universidades Julich e Aachen descobriram que, no interior das células das memórias ReRAM, os íons se comportam de forma similar ao que ocorre em uma bateria, um fenômeno até agora desconhecido.
As células de memória têm dois eletrodos, nos quais os íons se dissolvem e depois novamente se precipitam - isto altera a resistência elétrica, que é explorada para o armazenamento dos dados.
A novidade, porém, é que os processos de redução e oxidação também têm um outro efeito: eles geram uma tensão elétrica, fazendo com que a célula de memória funcione como uma bateria.
O Dr. Valov conta que o artigo descrevendo o trabalho levou nove meses para ser aceito por uma publicação científica, tamanha foi a surpresa da descoberta - ela expôs o fato de que as explicações teóricas para o funcionamento das memórias resistivas estão erradas e precisam ser refeitas.
Até agora, a explicação sobre o funcionamento das memórias resistivas se baseava no conceito de memristores, componentes descritos como "sinapses eletrônicas", mas que são passivos.
"A tensão interna da bateria ReRAM claramente viola a construção matemática da teoria do memristor. Esta teoria deve ser expandida para toda uma nova teoria para descrever adequadamente os elementos ReRAM," disse Eike Linn, coautor do estudo.